Rosária da Silva, escritora angolana

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Rosária Manuel da Silva nasceu em 4 de abril de 1959 em Kafofo, Golungo Alto, Cuanza Norte, Angola. Faleceu em 11 de agosto de 2022. Atuou como romancista, cronista, poeta, declamadora e professora. Formou-se em Linguística Portuguesa no ISCED da Universidade Agostinho Neto, Luanda. Na década de 1980 colaborou com o jornal Kilamba, na página Cultura e Mulher, publicou no Jornal de Angola, cofundou o semanário O Independente e chefiou o jornal Kilombo – Kwanza Norte Actualidade.

De 1986 a 1998 exerceu a subdireção do Internato Polivalente 1.º de Junho, Luanda, antigo Instituto Feminino D. Pedro V, ligado à Santa Casa da Misericórdia. Em 1997 lançou o romance Totonya pela Brigada Jovem de Literatura, fato que motivou convite governamental para cargo administrativo e limitou novas produções. O livro, primeiro romance publicado por uma mulher angolana, descreve práticas bantu e introduz variações na escrita do português usado em Angola.

Rosária completou pós-graduação em Formação de Formadores e mestrado em Supervisão Pedagógica no ISCE de Odivelas, Portugal. Leciona Literatura Angolana, Língua Portuguesa, Língua Nacional Kimbundu e Introdução aos Estudos Literários na Escola Superior Pedagógica do Cuanza Norte.

Produziu as peças teatrais À Falta de Casas, Conflitos e Ilusão, encenadas em Lobito e Luanda entre 1985 e 1989. Participou nas antologias Vozes do Kwanza Norte, Entre o Fado e o Samba, Arte Poesia, Em Todos Ritmos da Poesia, Todos Tons da Poesia e A Poesia do Fado e dos Tambores.

O romance Totonya recebeu menção honrosa do Prémio Literário António Jacinto em 1996. O manuscrito foi recusado três vezes pela União dos Escritores Angolanos, principalmente pela proposta de revisão ortográfica. A autora defendeu normas específicas para línguas bantu e resistiu a modelos únicos de escrita, sustentando que o livro reafirma a possibilidade de equidade linguística e social.

Embora a sua produção literária publicada seja quantitativamente pequena, Rosária da Silva ocupa um lugar de destaque na história literária de Angola por ter publicado Totonya (1997/1998), que é considerado o primeiro romance escrito por uma mulher na Angola independente.

A autora foi membro fundadora da Brigada Jovem de Literatura de Angola (criada em 1981), um movimento literário que visava dar voz a uma nova geração pós-independência. No entanto, este movimento estava marcado por uma forte carga ideológica, assumindo abertamente a afiliação política ao MPLA, o partido governante de orientação marxista-leninista.


Wigvan Pereira dos Santos

Para citar este texto:
PEREIRA DOS SANTOS, Wigvan. Título do texto. LitteræVia, Goiânia, dia, mês e ano. Disponível em: [url]. Acesso em: dia, mês e ano.

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