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	<title>Arquivos Outras Artes - Wigvan - Literatura e Filosofia</title>
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	<description>Um portal para aprender sobre Literatura e Filosofia</description>
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	<title>Arquivos Outras Artes - Wigvan - Literatura e Filosofia</title>
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		<title>Das ruas às ondas: a geografia dos afetos de Adriana Calcanhotto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[wigvan]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Jan 2026 12:06:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Outras Artes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Texto escrito em 2014 para o site &#8220;A Gambiarra&#8221; UM O mundo que nos chega pela voz de Adriana Calcanhotto é inquietante e tem na impermanência das coisas e dos lugares a cumplicidade do sujeito que não cessa de se esculpir. Há uma mapa em cada canção, desenhado com memórias e afetos, e esses mapas [&#8230;]</p>
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<p class="has-small-font-size">Texto escrito em 2014 para o site &#8220;A Gambiarra&#8221;</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="640" height="470" src="https://www.wigvan.com/wp-content/uploads/2026/01/calcanhottoolhosdeonda4.jpg" alt="" class="wp-image-2771" srcset="https://www.wigvan.com/wp-content/uploads/2026/01/calcanhottoolhosdeonda4.jpg 640w, https://www.wigvan.com/wp-content/uploads/2026/01/calcanhottoolhosdeonda4-300x220.jpg 300w" sizes="(max-width: 640px) 100vw, 640px" /></figure>



<p><strong>UM</strong></p>



<p>O mundo que nos chega pela voz de Adriana Calcanhotto é inquietante e tem na impermanência das coisas e dos lugares a cumplicidade do sujeito que não cessa de se esculpir. Há uma mapa em cada canção, desenhado com memórias e afetos, e esses mapas são tão pessoais e íntimos que nos sentimos convidados a imprimir neles os nossos próprios passos.</p>



<p>É imprimindo-os que passamos pelas ruas com cores de Almodóvar e com cores de Frida Khalo (Esquadros), pelas ruas sem sentido depois do encontro com o outro (Cantada), pela rua que o outro atravessa para a direção errada (Canção sem seu nome), das ruas que voam sobre ruas (O nome da cidade). A poesia que nos chega ao corpo pelos ouvidos não é feita de metáforas grandiosas: é construída de palavras simples e que manuseamos todos os dias; ela tem a concretude das casas demolidas (Pelos Ares), dos muros escritos (Mentiras), das calçadas, das poças de água, dos cigarros comprados, do rádio que toca uma música que não deve porque ouvi-la provoca dor demais. O sentimento surge das coisas como uma moeda que encontramos por acaso: a dualidade entre inesperado e o banal, aquilo que conhecemos tão bem com palavras ordenadas de uma forma tão bela que só conseguimos reproduzir quando cantamos juntos.</p>



<p>Para além da busca de um amor, comum nos discos, nos filmes e nos livros, há uma busca por pessoas e lugares, mas não para que sirvam como amparos ou molduras, nos deparamos com uma complexa investigação pela identidade mesma e secreta de tudo aquilo que visitamos e tratamos como se já os soubéssemos em detalhes apenas porque suportam os nossos pés ou os nossos abraços. Saber o nome, saber o rosto, saber os cheiros, saber as cores, saber o vazio, saber o incompleto e o indefinível, saber os habitantes invisíveis – de nós mesmos e das cidades, “os meninos maus, as mulheres nuas”, os meninos que têm fome – e no fim, o que resta é a face sem nome, muda, apátrida, que habita o mar.</p>



<p><strong>DOIS</strong></p>



<p>No show, o mar se faz presente pelas luzes, pela cor do vestido e “naquilo que crê não deixar transparecer”, mas que se revela nos olhos – de onda. No espaço cênico, Adriana Calcanhotto oferece uma performance diferente da ousadia de quem atravessou uma passarela nua em um show da Rita Lee ou das travessuras e adereços imaginativos de sua Partimpim. Ela agora surge como uma Lady Macbeth de frente para o mar, compenetrada no seu silêncio de vida e de morte, contemplando o abismo e a solidão com desespero calculado e repartido entre doses, que são as músicas, para não furtar do público seu direito à catarse.</p>



<p>As músicas conhecidas são dispostas como as obras de arte são em um museu e assim, a leitura que fazemos delas é modificada pela ordem em que aparecem, pelo tom mínimo, ou pelo apagamento voluntário de palavras – como “eu vejo” foi apagada em Esquadros reforçando o “tudo em quadrado”. Aqui, aparecem alguns de seus amigos de música mais queridos e que, assim como ela, têm (ou tinham) especial carinho com aquilo que é dito: Caetano, Antônio Cícero e Waly Salomão. Além deles, há a bela parceria com Arnaldo Antunes e a regravação de Back to Black, de Amy Winehouse, e Me dê Motivos, de Michael Sullivan e Paulo Massadas, inesquecível na voz de Tim Maia.</p>



<p><strong>Três</strong></p>



<p>Adriana Calcanhotto continua em movimento, como o marinheiro de Maresia, compondo suas várias identidades a partir dos lugares pelos quais quer passar e pelos amores que se deixa sentir. O que não muda é o seu trabalho junto a poetas e autores, diferente de quem ela mesmo se refere como músicos profissionais – o que não é de se espantar, ela mesma uma autora, com livros publicados. Entre eles, Saga Lusa (Editora Cobogó, 2008), no qual relata em tempo real uma onda, não do mar de Portugal onde estava em turnê, mas aquela onda que nos rouba da realidade e nos devolve o dom para a metafísica.</p>



<p>Além dos poetas, os pops. Em “Olhos de Onda”, Amy e Tim Maia. Em outros momentos de sua discografia, Bob Dylan, Claudinho e Bochecha, Cazuza e Madonna – que ela regravou por invejar a capacidade inventiva de Music, composta em uma nota só. Como aprendemos com as chamadas artes de vanguarda, a forma de dizer também é poesia, a voz, o ritmo, cada pedaço de si que é colocado ao repetir uma poesia faz com que ela seja outra, inédita, no momento em que acontece a fala. Atenta a isso, talvez, Adriana anuncia antes de cantar, o caráter inédito e irrevogável de cada instante: “a canção que eu vou fazer agora”. Não importa qual seja a biografia da canção, ela nascerá diferente sempre que Adriana emprestar a ela sua boca, transformada em alta poesia e palatável o suficiente para estar no rádio e na novela, como um dia estiveram as músicas de Vinícius.</p>



<p></p>
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		<title>Lady Di e a liberdade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[wigvan]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Oct 2023 13:42:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Contos, Crônicas e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Outras Artes]]></category>
		<category><![CDATA[princesa Diana]]></category>
		<category><![CDATA[série The Crown]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uruaçu, Goiás, 28 de novembro de 2020. A mulher antes da princesa Diana era a capa de uma revista de cortes de cabelo que meu pai tinha no salão. Ela morreu e eu guardei a revista em sinal de respeito. Não queria que ninguém visse suas fotos, parecia errado de algum jeito. Durante os anos, [&#8230;]</p>
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<p>Uruaçu, Goiás, 28 de novembro de 2020.</p>



<h2 class="wp-block-heading">A mulher antes da princesa</h2>



<p>Diana era a capa de uma revista de cortes de cabelo que meu pai tinha no salão. Ela morreu e eu guardei a revista em sinal de respeito. Não queria que ninguém visse suas fotos, parecia errado de algum jeito.</p>



<p>Durante os anos, reportagens, outras revistas, comentários avulsos, séries e filmes me fizeram um retrato de quem era aquela mulher. Um retrato um tanto confuso porque ela tinha tantos rostos quanto eram os olhares sobre ela. Mas era o suficiente para mim, não precisava saber mais.</p>



<p>Preferia inventar sobre os espaços.</p>



<p>Então, eu fui ver a quarta temporada de The Crown amparado apenas nos fiapinhos de memória de uma criança deslumbrada com cabelos e vestidos.</p>



<p>Não fazia ideia de toda aquela jornada, de uma adolescente jogada no meio de uma instituição que nem entendia, tão inexperiente que talvez tenha demorado a aceitar – perceber, ela percebeu cedo – que seu relacionamento só existia no mundo público. Com as portas fechadas, não havia lar. Havia dois estranhos sofrendo e causando sofrimento, atados um ao outro como a um corpo morto do qual não podiam se livrar.</p>



<p>Fui procurar, então, documentários sobre ela. Vi um no qual ela própria narra sua vida, com uma honestidade impactante e um senso de humor corrosivo. Assumir sua vulnerabilidade, ainda mais sendo uma celebridade mundial, exige muita coragem.</p>



<p>Além dos vestidos lindos, dos abraços em pessoas com HIV, dos casos fora do casamento: eu vi uma mulher que havia despertado – e não “se transformado” – a partir de relações humanas complexas, instáveis, sob holofotes, sob calúnias, sob pressões. Uma mulher que, ao ser dilacerada, conseguiu irradiar seu carisma e fazê-lo cada mais potente e irresistível quando a tendência de todos nós é se encolher.</p>



<p>Ao fim, ela era uma mulher que sabia exatamente o alcance de sua influência e o papel que desempenhava de desestabilizar estruturas. O que ela fazia no início sem consciência, no intuito de respeitar os próprios sentimentos, passou a fazer com intenção, objetivo e método.</p>



<p>Acho que esta é uma das coisas que explicam o fascínio que essa mulher exerce: a lição de que ser de propósito aquilo que a gente já é naturalmente é algo que exige coragem, mas que é melhor do que passar uma vida encolhendo-se sobre si mesmo para não ferir as suscetibilidades de uma pessoa ou de uma instituição.</p>



<p class="has-small-font-size">Publicado, originalmente, no instagram @wigvans, em 2020.</p>



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		<title>Dogville: a maldade das pessoas boas</title>
		<link>https://www.wigvan.com/dogville/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[wigvan]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 07 Oct 2023 22:34:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Contos, Crônicas e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Outras Artes]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uruaçu, Goiás, 05 de outubro de 2020. Um ensaio sobre a condição humana Grace entra na cidade de Dogville como uma estrangeira, diz fugir de gângsteres. Vulnerável a uma comunidade formada de pessoas boas. Pessoas boas, “com pequenos defeitos facilmente perdoáveis”. Juntas, porém, elas se tornam um leviatã capaz de devorar o mundo. Cada uma [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Uruaçu, Goiás, 05 de outubro de 2020.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Um ensaio sobre a condição humana</h2>



<p>Grace entra na cidade de Dogville como uma estrangeira, diz fugir de gângsteres.</p>



<p>Vulnerável a uma comunidade formada de pessoas boas. Pessoas boas, “com pequenos defeitos facilmente perdoáveis”. Juntas, porém, elas se tornam um leviatã capaz de devorar o mundo. Cada uma delas contribui com a sua parcela de maldade, maldade que todos trazemos dentro de nós e que muitas vezes passa despercebida até para nós mesmos.</p>



<p>Algo que desperta nossa maldade é a vulnerabilidade do outro, a certeza de que ninguém sairá em sua defesa, de que ninguém lutará por sua memória. É esse outro que, ao escolher confiar em nós, solicita nosso desejo de puni-lo por ousar ser doce em um mundo de bárbaros. É esse outro que, ao escolher nos amar por pura bondade, solicita nosso desejo de aniquilá-lo para, com isso, aniquilar também aquilo que ele nos mostra: que não somos tão bons quanto imaginávamos. É esse outro que, ao pedir nossa ajuda com humildade, solicita nosso desejo de vingança contra todas as pessoas que, um dia, diante do nosso pedido de socorro, viraram as costas.</p>



<p>É como se a humanidade estivesse viciada em repetir a extirpação de qualquer doçura que ameace a certeza de que o embrutecimento é caminho inevitável.</p>



<p>Grace resiste. Inventa motivos para perdoar, já que as próprias pessoas que a aviltaram sequer são capazes de reconhecer os próprios erros. Ela quer acreditar que é possível outra via para si mesma.</p>



<p>Ela está sempre ocupada de pequenos favores para essa comunidade que a acolheu. Mas as pessoas percebem isso de forma distinta: eles é que estão fazendo o grande favor ao aceitarem sua ajuda e um favor ainda maior ao aceitarem sua permanência.</p>



<p>Quando descobrem que ela é procurada pela polícia, a dívida se torna insolúvel. Grace se torna um objeto nas mãos de todos, para os favores de sempre e outros, exigidos com mais violência pelos homens. Ao conseguir dizer não a um deles, Tom, o homem bom por excelência, a resposta que ele dá é entregá-la àqueles de quem ela fugia. Tom não imaginava que, ao convencer a comunidade a deixá-la permanecer por duas semanas nas quais deveria provar seu valor, acolhia, na verdade, a filha do líder dos gângsteres. Ela estava ali em uma fuga, sim, mas em uma fuga do próprio embrutecimento, ao qual sua linhagem a condenava.</p>



<p>Então, o pai dá a Grace uma lição: justificar o que os outros fazem também é uma forma de arrogância. É não aceitar que as pessoas são capazes de escolher suas ações. É acreditar que compreender as circunstâncias que as tornaram como são é o suficiente para redimi-las. É acreditar que elas dependem da nossa misericórdia para guiá-las pelo caminho do bem.</p>



<p>É fingir que se é uma pessoa melhor do que aquilo que se é, para não enfrentar o fato de que cada um tem em si uma parcela de algo terrível que só vem às claras quando aparece em um rosto que não o seu.</p>



<p>O perdão infinito de Grace para as pessoas que a violentam dia após dia não as tornou melhores. Ela esgarçou os limites do que era aceitável pouco a pouco e as pessoas deixaram à tona a crueldade que fica em segredo, por não haver consequências para seus atos.</p>



<p>Punir quem a feriu talvez seja uma forma de dar a outra face, uma face que ninguém ali, até então, havia visto. A punição definitiva é não aceitar mais que essa pessoa esteja por perto, que ela não seja mais capaz de nos alcançar com sua violência. A distância talvez seja a única misericórdia que mereçam. A punição definitiva é não aceitar mais que aquelas pessoas fossem capazes de alcançá-la com sua violência.</p>



<p>Tudo que é excesso faz mal em algum momento. Até o perdão.</p>



<p></p>



<p class="has-small-font-size"><em>Para minha amiga Dora Steimer.</em></p>
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